Inteligência Artificial Nos Óscares 2025
De efeitos visuais em The Creator a ajustes de pronúncia em O Brutalista: como a IA já estava presente em filmes nomeados para Óscar, e o debate que isso gerou.
Os Óscares de 2025 trouxeram, para além dos prémios habituais, um debate que já vinha a ganhar força na indústria do cinema: até que ponto a inteligência artificial deveria ter um papel — reconhecido ou discreto — na criação de obras candidatas aos prémios mais prestigiados do setor. Não era a primeira vez que o tema surgia, mas nesse ano tornou-se difícil de ignorar.
Onde a IA já estava a entrar no processo criativo
A presença da inteligência artificial fez-se sentir em várias frentes da produção cinematográfica desse ano. Em The Creator, ferramentas baseadas em IA foram essenciais para construir de forma mais eficiente o universo futurista do filme, permitindo criar cenas complexas com equipas e orçamentos mais reduzidos do que exigiria o método tradicional. Em O Brutalista, a tecnologia foi usada para ajustar digitalmente a pronúncia dos atores, um uso mais subtil mas igualmente revelador de como a pós-produção já incorporava IA como ferramenta corrente. E, segundo relatos da altura, alguns argumentistas recorriam a modelos de linguagem para gerar ideias iniciais ou estruturar guiões antes da escrita "a sério" começar.
O debate que isto não resolveu
A utilização de IA em produções nomeadas, incluindo filmes como Emília Pérez, reacendeu uma discussão que a indústria criativa em geral ainda não tinha — e continua sem ter — totalmente resolvida: onde termina a ferramenta e onde começa a autoria? Um efeito visual gerado com apoio de IA é menos "criativo" do que um feito à mão? Uma voz ajustada digitalmente compromete a integridade de uma interpretação premiada?
Não há resposta simples, e provavelmente não deveria haver — o cinema já absorveu, ao longo de décadas, tecnologias que na sua altura levantaram exatamente as mesmas perguntas, da montagem digital aos efeitos gerados por computador. A diferença, desta vez, é a velocidade a que a ferramenta evolui e a escala a que se torna acessível a produções de menor orçamento.
Porque isto interessa a quem não trabalha em cinema
O mesmo tipo de ferramenta de geração de imagem e vídeo que ajudou a construir efeitos visuais de um filme nomeado para Óscares está, hoje, ao alcance de qualquer empresa para criar conteúdo visual de marketing ou apresentações — vale a pena explorar isso em geração de imagens no ChatGPT. E à medida que estas ferramentas se tornam mais convincentes, também se torna mais importante saber identificar o que é sintético — um tema que aprofundamos em como usar IA com segurança nas empresas.
Se tem curiosidade em perceber melhor o que está por trás destas ferramentas, o nosso guia sobre o que é IA generativa é um bom ponto de partida, assim como o IAteca, o nosso diretório de apps de IA, onde pode explorar ferramentas de criação visual por conta própria. E para quem se pergunta que profissões — incluindo criativas — vão mudar mais com isto, escrevemos sobre literacia de IA nas empresas.