Quando uma máquina venceu um génio: o dia que mudou a inteligência artificial
Em 1997, o Deep Blue da IBM venceu Garry Kasparov ao xadrez. A história desse duelo e o caminho até sistemas que já aprendem sozinhos, como o AlphaZero.
Há 28 anos, em maio de 1997, aconteceu um momento que mudaria para sempre a perceção pública sobre o que a inteligência artificial seria capaz de fazer: um supercomputador venceu o maior génio do xadrez da sua geração.
O cenário parecia saído de um filme. Garry Kasparov, campeão mundial e considerado por muitos o melhor jogador de xadrez de sempre, enfrentou o Deep Blue, um supercomputador desenvolvido pela IBM. Ao fim de seis jogos intensos, a máquina venceu. Pela primeira vez na história, um computador derrotava um campeão mundial de xadrez em condições de competição oficial.
O que tornava o Deep Blue tão especial
Ao contrário dos sistemas de IA que conhecemos hoje, o Deep Blue não “aprendia” com a experiência. Foi programado para jogar xadrez de forma quase cirúrgica, analisando 200 milhões de jogadas possíveis por segundo. Não havia ali intuição nem aprendizagem — era força bruta computacional, aplicada com uma precisão que nenhum humano conseguiria replicar. E resultou.
O verdadeiro impacto deste duelo, porém, foi muito além do tabuleiro. Mostrou ao mundo que a inteligência artificial podia competir, e vencer, em domínios que até então pareciam exclusivamente humanos: o raciocínio estratégico, a antecipação, a decisão sob pressão.
De Deep Blue a AlphaZero: de força bruta a aprendizagem
A evolução desde então foi tremenda. Sistemas como o AlphaZero ou o próprio ChatGPT já não precisam de ser programados jogada a jogada — aprendem com a experiência. O AlphaZero, por exemplo, aprendeu sozinho a jogar xadrez, Go e Shogi, e tornou-se melhor do que qualquer sistema especializado anterior, sem que ninguém lhe tivesse ensinado uma única abertura.
Murray Campbell, co-criador do Deep Blue, explica que este salto se deve sobretudo à explosão do machine learning e, mais recentemente, do deep learning — métodos que permitiram criar sistemas mais flexíveis, capazes de generalizar em vez de se limitarem a tarefas isoladas para as quais foram explicitamente programados.
Curiosamente, o próprio Kasparov, frustrado com a derrota em 1997, tornou-se mais tarde um defensor da colaboração entre humanos e máquinas. Percebeu, com o tempo, que a soma das duas partes produz mais do que qualquer uma sozinha — uma lição que continua atual em praticamente todas as profissões hoje tocadas pela IA.
É exatamente aí que reside o verdadeiro poder da inteligência artificial: não substituir-nos, mas ampliar aquilo que já somos capazes de fazer. Se este tipo de história desperta curiosidade sobre como chegámos até aqui, vale a pena explorar também a história real do génio que antecipou a IA moderna, perceber melhor o que são agentes de IA hoje, ou consultar o dicionário de termos de IA da plataforma para dominar a linguagem por trás destas tecnologias.