A IA está a avançar a um ritmo avassalador, mas há um desafio crescente: a "Obesidade de IA"
O que é a "obesidade de IA", o excesso de ferramentas sem plano, e como escolher menos e melhor — tema de uma sessão sobre IA em PMEs no Tech Business Summit.
Todos os dias surgem novas ferramentas de inteligência artificial — modelos, assistentes, plug-ins, automações. Para muitos líderes e empreendedores, este ritmo já não é entusiasmante, é avassalador. Chama-se a este fenómeno obesidade de IA: a acumulação de ferramentas, subscrições e promessas tecnológicas sem um plano claro de como as usar — e sem tempo para sequer as testar todas.
O sintoma mais comum não é a falta de tecnologia, é o excesso dela. Equipas com acesso a dezenas de ferramentas de IA continuam a fazer tudo manualmente, porque ninguém parou para decidir qual delas resolve, de facto, um problema real do negócio. O resultado é frustração, dinheiro mal gasto em licenças que ninguém usa e a sensação de estar sempre a correr atrás da concorrência.
Foi este o tema central de uma sessão que dinamizei em março de 2025 no Tech Business Summit, intitulada “7 Formas de Usar a IA numa PME Hoje”. A mensagem que quis deixar às pequenas e médias empresas presentes foi simples: a IA já não é uma opção estratégica para o futuro, é uma necessidade operacional no presente. E os líderes têm de estar à frente desta transformação — a decidir, testar e adaptar — em vez de a delegar por completo às equipas técnicas ou esperar pela “ferramenta perfeita”.
Como evitar a obesidade de IA
A boa notícia é que combater este excesso não exige comprar mais tecnologia — exige o oposto: escolher menos, mas escolher melhor. Antes de adotar mais uma ferramenta, vale a pena perguntar: que problema concreto resolve? Quem na equipa vai usá-la todos os dias? E o que deixamos de fazer manualmente por causa dela?
Para quem quer começar por aí, uma boa autoavaliação de maturidade de IA ajuda a perceber em que fase está realmente a empresa, antes de investir em mais uma subscrição. Também vale a pena seguir um método simples e faseado, como os percursos de aprendizagem disponíveis na plataforma, em vez de tentar aprender tudo ao mesmo tempo — a mesma lógica que hoje sustenta a nossa formação de IA para empresas.
Os empreendedores que conseguem cortar o ruído e focar-se em duas ou três ferramentas bem escolhidas ganham uma vantagem real sobre quem acumula dezenas sem critério. A verdade é esta: já somos, coletivamente, mais capazes com a ajuda da IA — mas só quando escolhemos com intenção, não por impulso. Esse princípio mantém-se tão válido hoje como em 2025: vale sempre mais avaliar bem uma ferramenta antes de a adotar do que testar todas as que aparecem, um exercício que descrevemos com mais detalhe em ferramentas de IA mais úteis para produtividade, e que se pode complementar com os quick wins de IA em 30 dias para quem quer resultados rápidos sem se perder em opções.