IA no Trabalho

IA supera especialistas na deteção do cancro

Um estudo na Nature Medicine mostrou um modelo de IA a detetar cancro do ovário em ecografias com mais precisão do que especialistas humanos.

6 de fevereiro de 2025·2 min de leitura
IA supera especialistas na deteção do cancro

Em fevereiro de 2025, um estudo publicado na Nature Medicine trouxe um dado que reforçou, com números concretos, algo que já se via a acontecer de forma mais anedótica: um modelo de inteligência artificial conseguiu identificar lesões nos ovários a partir de ecografias com uma precisão de 86,3% — superando os 82,6% obtidos por especialistas humanos na mesma tarefa.

O contexto clínico torna este resultado particularmente relevante. O cancro do ovário é o quinto mais fatal entre as mulheres nos EUA, e um dos maiores obstáculos ao tratamento bem-sucedido continua a ser o diagnóstico tardio: quanto mais tempo passa até à deteção, menores as hipóteses de sucesso do tratamento. Segundo o estudo, esta tecnologia poderia acelerar significativamente o processo de diagnóstico e reduzir os diagnósticos errados em até 18%.

Como o modelo foi treinado

O modelo foi treinado com mais de 17 mil imagens de ecografias de pacientes em oito países diferentes — um volume e uma diversidade de dados que ajudam a explicar a sua precisão na deteção de anomalias que, à vista humana e sob pressão de tempo numa consulta, são fáceis de deixar passar. Ainda assim, os próprios autores do estudo sublinhavam que a integração na prática clínica e a validação contínua continuam a ser essenciais para garantir segurança e eficácia — um modelo treinado em condições de investigação não substitui automaticamente o processo de aprovação e acompanhamento que qualquer ferramenta de diagnóstico clínico exige antes de chegar ao consultório.

Um padrão que se repete

Este não foi um caso isolado: meses antes, em setembro de 2024, tínhamos escrito sobre uma história viral em que uma mãe usou o ChatGPT para chegar a um diagnóstico raro que 17 médicos não tinham conseguido identificar. Em ambos os casos, o padrão repete-se: a IA não substitui o julgamento clínico, mas consegue cruzar padrões em volumes de dados que nenhum humano consegue processar sozinho, complementando — nunca substituindo — a decisão do profissional de saúde. Este tipo de avanço ilustra também por que razão a literacia em IA se tornou uma competência transversal, mesmo para quem trabalha fora da área da tecnologia — um tema que já explorámos a propósito das literacia de IA nas empresas.

Casos como este também levantam questões sobre como os sistemas de saúde e os reguladores acompanham esta evolução: a RGPD e Inteligência Artificial: riscos e boas práticas classifica sistemas de IA usados em contexto de diagnóstico médico como de alto risco, sujeitos a requisitos mais exigentes de transparência e supervisão — e o tratamento de dados de saúde por IA está também sujeito às exigências do RGPD. Para quem quer perceber melhor este vocabulário técnico, o dicionário de termos de IA da SuperHumano Academy é um bom ponto de partida.

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